Carreira Inquieta

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Notas na Escola Não Definem o Futuro: O Que Aconteceu com a Minha Turma de 40 Alunos

Existe um mito muito forte na nossa cultura: acreditamos que o aluno que tira as melhores notas na escola é aquele que terá o maior sucesso na vida. E acreditamos, com igual força, que o aluno inquieto, disperso e mediano está fadado ao fracasso.

A minha história é a prova viva de que essa lógica nem sempre se sustenta.

Eu tive uma experiência escolar muito particular. Estudei basicamente com as mesmas pessoas desde o jardim de infância até a conclusão do ensino médio. Éramos uma turma de aproximadamente 40 alunos, todos crescendo juntos nos bancos de uma escola pública.

Como em toda sala de aula, os papéis eram bem definidos.

Havia a elite intelectual da turma. Lembro-me claramente de dois meninos e umas cinco meninas que eram o orgulho dos professores. Eram estudiosos, disciplinados, tinham os cadernos impecáveis e tiravam notas máximas. Para qualquer observador, o futuro deles estava garantido. Eles eram os favoritos para serem médicos, engenheiros ou cientistas renomados.

E havia eu. A criança e depois o adolescente inquieto, que passava raspando, que vivia no mundo da lua e que lutava contra o tédio da sala de aula. Ninguém apostaria muitas fichas no meu futuro acadêmico.

O tempo passou, a vida adulta chegou, e o cenário se inverteu de uma forma que ninguém poderia prever na época.

Hoje, ao olhar para a trajetória daquela turma de 40 pessoas, constato um fato curioso: eu fui quem foi mais longe nos estudos.

Eu, o aluno que os professores viviam chamando a atenção, tornei-me Doutor e Pós-Doutor.

E o mais surpreendente é o destino daquele grupo de elite. Alguns daqueles alunos brilhantes, que pareciam ter o mundo aos pés, sequer fizeram uma graduação. Outros seguiram caminhos dignos, mas muito distantes daquela promessa de liderança acadêmica que o boletim escolar sugeria.

Por que isso acontece?

A escola tradicional avalia conformidade. Ela premia quem consegue ficar sentado por 4 horas, quem copia a lousa rápido e quem decora para a prova. O TDAH sofre nesse ambiente.

Porém, a vida acadêmica superior e o mercado de trabalho avaliam outras coisas: criatividade, resiliência, capacidade de resolver problemas complexos e, acima de tudo, paixão. Quando encontrei a área que amava, meu hiperfoco foi ativado e a inquietação virou energia de trabalho.

Escrevo isso para acalmar o coração dos pais. A escola é apenas uma fase. O desempenho do seu filho hoje, em uma carteira de escola pública ou particular, é apenas uma fotografia do momento, não o filme inteiro. O aluno nota 10 pode parar. O aluno do fundão pode decolar. O jogo só acaba quando termina.

Aviso Legal

Este relato é baseado na minha experiência de vida pessoal. Eu sou um Pós-Doutor e não possuo formação na área da saúde. Este texto não substitui, em hipótese alguma, a avaliação médica e psicopedagógica. Se você identifica padrões semelhantes em seu filho, a recomendação é procurar ajuda de profissionais qualificados.